Andante descalça,de ombros caídos
com teus passos soltos,
fingindo não mapear o relógio,
Que horas são?
Á esperar por hora clara, certa...
que ela se acertasse
e que fosse pontual...
Que fazes hora contigo?
O relógio percorre todo círculo,
e a minha hora desencontra
o ponteiro, não a achas...
salta o ponto,
como se este fosse precipício,
meu olhar indo distanteee...
voltando e nada trazendo,
e de novo repetia, ia... e nada!
Éramos apenas nós em circunferência,
ele o ponteiro,
e "em curtos" o meu juizo...
Em vão eu tateava o pensamento,
faltavam peças no relógio,
ou em minha engrenagem,
buscando aquele ponto de encontro (.)
que outrora fazíamos?
A hora á abraçar a espera
que não existia, mas, é tarde!
A hora esquecida adormeceu,
o ponteiro certeiro partil,
e a espera, é fértil...
Vera Lúcia Bezerra

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