09 agosto 2008

Leitura na mesma Altura

o terço que canto é mantra,
a corte entende,
“meu rei, minha rainha”...
Ousei bolinar o teu véu de letras.
Quantas aves, Maria?

deveria me cansar com o esbravejo
dessa cantoria aqui no meu seio...

Mas, fui me afeiçoando!


Aves, Maria,
“É tempo de ouvir a voz de dentro”,
esse emoldurado de vícios sorrindo,
“desse apuro” sendo retratado
pelos redemoinhos destes dedos,
a ponta do lápis pedindo espaço
no branco do papel.


Sem aves Maria ...
Aqui o ar é puro.

“Trevas” é a cegueira perniciosa.
E não tem nome de demônios...
Grafitei empório místicos,

lindossss, até floriam,
“outrora tão hora”,
na franja dos meus cílios te via!

Bendito é o fruto da luzzz.
Vou-me, já.

Com os estrondos de
a agonia dormir...
passem dias! passem noites,
Pa sarasssssss sem penas,

mais uma pedra no terço, e bis.
um rabisco de luz para o
“eu” enxerga o foco,
o grafite marcando o
papel branquinhooooo,
e a poesia á quebrar linha,
vai sumindo, sumindooo

Vera Lúcia Bezerra
Imagem
Muriel Josephine Cockell Scott

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